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Aquilombar é preciso!

O nome é grande porque a causa é maior: “Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha” traz a pompa que nos cabe desde sempre.

O nome é grande porque a causa é maior: “Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha” traz a pompa que nos cabe desde sempre. Não é feriado, mas é dia de comemorar a luta e a resistência das mulheres negras afro-indígenas e diaspóricas da América Latina e do Caribe, cujo primeiro encontro se deu em 25 de julho de 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana.

Ali, bem mais que encontro, foi aquilombamento: junção de vivências e tecnologias de resistência de mulheres que, definitivamente, não foram abraçadas pelo feminismo hegemônico e nem enxergadas pelo Estado. A união pela dor e os esforços de cura às feridas sociais abertas por um sistema cruel e opressor foram escancarados aos desafios de enfrentamento.

Em 2014, por força de lei, foi reconhecida a importância de Tereza de Benguela, a qual passou a representar as mulheres negras e afro-indígenas brasileiras. Numa mesma data, a luta de muitas; o grito uníssono por sobrevivência, justiça social e reconhecimento de potencialidades.

Tereza nos conduz lá do quilombo de Quariterê, da resistência feroz à escravização no Brasil do século XVIII. Foi rainha valente abrindo caminho às mulheres fortes e potentes que não fogem à luta, que não temem reivindicar o cuidado e o bem-viver que merecem e a validação de suas histórias, saberes e contribuições à sociedade brasileira.

Não se nega, porém, que essa busca é de estrada longa, cheia de obstáculos e encruzilhadas, mas que se faz sob a guia da ancestralidade negra, a qual sinaliza, convicta, que é preciso e possível caminhar.

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Sempre haverá mãos seguras e rezas fortes pra socorrer do cansaço que por vezes assola e paralisa; há de se crer no caminho pra que ele permita ser caminhado. Há estrelas pra iluminar a jornada: Esperança Garcia, Beatriz Nascimento, Sueli Carneiro, Conceição Evaristo, Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus, Lélia Gonzaléz, Alzira Rufino, Ana Maria Gonçalves e tantas outras que vieram e que virão.

Cada trecho percorrido é vitória, festejada na construção de um solo fértil pronto pra acolher todas igualmente.

Há uma só data de celebração, mas calendários a revisitar e a construir. Só não há tempo a perder; aquilombar foi e sempre será preciso!

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