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Kiko Celeguim e a crise de identidade dentro do PT

Kiko Celeguim nunca foi um petista de raiz. Diferente da geração que construiu o partido em meio a greves, assembleias em fábricas e ocupações estudantis, o deputado federal não traz na bagagem a essência de militância que moldou o PT.

Kiko Celeguim nunca foi um petista de raiz. Diferente da geração que construiu o partido em meio a greves, assembleias em fábricas e ocupações estudantis, o deputado federal não traz na bagagem a essência de militância que moldou o PT. Sua filiação não veio da experiência nas ruas ou no chão de fábrica, mas do sobrenome: é “petista por herança”, herdeiro da trajetória política do pai, Maurici, deputado estadual.

Essa condição de outsider dentro de sua própria legenda sempre gerou incômodo. Militantes mais antigos o enxergam da mesma forma que um dia enxergaram Fernando Haddad — como alguém tecnocrata, acadêmico e distante da luta popular. Tanto Haddad quanto Kiko carregam a pecha de serem figuras mais próximas de pautas social-democratas ou até liberais, quando comparados à tradição de esquerda do PT.

O incômodo cresceu de vez com o voto de Kiko a favor da chamada PEC da Blindagem, em votação secreta na Câmara. O episódio foi interpretado como uma ruptura com a orientação partidária e gerou uma onda de protestos dentro e fora do diretório. Militantes e filiados do PT lotaram as redes sociais do deputado, pedindo explicações e, em alguns casos, exigindo sua expulsão imediata do partido.

A polêmica não é isolada. Há dois anos, em entrevista ao jornalista Breno Altman, Kiko se apresentou como um social-democrata. A fala passou quase despercebida pelo grande público, mas caiu como uma bomba dentro do partido, sendo lembrada até hoje por correntes internas como prova de que o deputado nunca teve identidade ideológica com o petismo.

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No momento, o clima entre filiados é de desconforto generalizado. Cresce a percepção de que Kiko Celeguim não representa a tradição do PT, mas sim uma versão mais palatável e domesticada da esquerda, construída em gabinetes, distante das ruas e dos movimentos que deram origem ao partido. Uma crise de identidade que, ao que tudo indica, está apenas começando.

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