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Cia. dos Náufragos apresenta espetáculo sobre memória e ditadura em Mairiporã

Montagem “Instruções para Abraçar o Ar” terá sessões gratuitas neste fim de semana e inclui oficina teatral aberta ao público

Fotografia de cena teatral em plano médio e ângulo frontal, mostrando um homem e uma mulher sentados lado a lado em caixotes de madeira sobre um palco escuro. À esquerda, a mulher, de pele clara e cabelos escuros presos, veste um vestido cinza simples e botas de cano alto amarradas; ela tem uma tatuagem colorida no ombro direito e olha para a frente com uma expressão melancólica ou preocupada. À direita, o homem, que tem barba e cabelos crespos escuros, veste um paletó cinza sobre camisa e calças xadrez em tons de marrom; ele segura um violão clássico na vertical, posicionado entre suas pernas, e expressa uma emoção intensa com os olhos fechados e a boca aberta, como se estivesse cantando ou atuando de forma dramática. A iluminação cênica, vinda da lateral esquerda, destaca os atores e projeta uma luz calorosa sobre eles, contrastando com o fundo preto e minimalista do cenário.
Divulgação

A Cia. dos Náufragos, de Campinas, apresenta o espetáculo Instruções para Abraçar o Ar nesta sexta-feira (29) e sábado (30), às 20h, no Teatro dos Contadores de Mentira, em Mairiporã. Com entrada gratuita, a montagem propõe uma reflexão sobre memória, violência e resistência a partir de episódios da ditadura militar argentina.

Dirigido por Fernando Yamamoto, integrante do grupo Clowns de Shakespeare, o espetáculo é protagonizado pelos atores Gisele Nunes e Miguel Damha, que se revezam em múltiplos papéis ao longo da encenação. A obra é baseada no texto do dramaturgo argentino Arístides Vargas, reconhecido internacionalmente por abordar, de forma poética, temas ligados à repressão política e ao exílio.

A narrativa acompanha a trajetória de Chicha Mariani, uma das fundadoras do movimento Avós da Praça de Maio, marcada pela busca pela neta desaparecida durante o regime militar na Argentina. Utilizando elementos do teatro fantástico e do absurdo, a peça resgata episódios históricos apagados, trazendo à tona discussões sobre memória coletiva, justiça e reparação.

Segundo o diretor Fernando Yamamoto, a montagem busca aproximar o público de temas complexos por meio de uma linguagem acessível.

Mesmo sendo um trabalho para sala, é um espetáculo que prioriza a conexão com o público, tratando questões difíceis de maneira sensível e envolvente.

Fernando Yamamoto

Um dos destaques da encenação é a dinâmica de interpretação dos atores, que dão vida a seis personagens diferentes, alternando entre narradores e figuras centrais da trama. A trilha sonora executada ao vivo também integra a proposta estética do grupo, reforçando o papel da música como instrumento de preservação histórica e expressão emocional.

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Além das apresentações, a companhia promove a oficina gratuita “Corpo da Palavra” no sábado (30), das 10h às 12h e das 14h às 17h, no mesmo local. Ministrada por Gisele Nunes e Moacir Ferraz, a atividade tem como objetivo desenvolver a expressão vocal e corporal dos participantes a partir do trabalho com o texto.

A circulação do espetáculo e a realização da oficina integram um projeto contemplado pelo Edital ProAC PNAB 22/2024, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, que prevê apresentações gratuitas em cidades do interior paulista. Em Mairiporã, a iniciativa conta com o apoio do Grupo Contadores de Mentira.

As sessões contam com recursos de acessibilidade: audiodescrição na sexta-feira e interpretação em Libras no sábado. As inscrições para a oficina podem ser realizadas pelas redes sociais da companhia (@ciadosnaufragos).

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